Archive for the ‘Omega Pharma – Lotto | arquivo’ Category

Batalha implacável na classificação por equipas

Segunda, Julho 19th, 2010

Nunca deveríamos tentar prever o desenrolar de uma corrida, nem imaginar cenários especiais porque, uma coisa que eu aprendi nos meus muitos anos de ciclista profissional é que existem razões suficientes sobre o porquê de uma corrida ser mais dura do que esperamos.

Vamos assumir que existem apenas dois corredores na classificação geral na luta pela vitória no Tour. Creio não ser necessário referir os nomes. Depois, dirigimo-nos para a etapa e a conversa da equipa no autocarro e julgas que sabes já o que vai acontecer na etapa de hoje. No entanto, as aparências podem iludir porque a estreita margem de pontos na luta pelo jerseys verde e pelo jersey às pintas vermelhas abrem outras possibilidades. Mas, isto não é tudo porque existe também a competição por equipas. Se pegarmos em tudo isto e misturarmos dentro de um chapeu e ainda juntarmos 100 corredores altamente motivados, acabamos por criar uma mistura explosiva. Hoje, após 89 kms, um forte grupo com 10 corredores deu início a uma fuga. Nas etapas anteriores da corrida, rolámos num tempo recorde de velocidade média de 47.6 km/h. No entanto, não é possível ter um grupo tão bom de corredores e criar uma corrida diferente ou mais agradável. Uma vez tínhamos o corredor errado no grupo, devido à luta pelo jersey das pintas vermelhas, outra vez aconteceu o mesmo com o jersey verde. Por fim, tivemos o problema da Radio Shack por terem perdido o grupo e, desde modo, tivemos a Caisse d’Epargne a todo o vapor.

Mesmo assim, estas duas equipas irão continuar a controlar-se mutuamente e certamente nos brindarão com surpresas tácticas nas próximas etapas.

Enquanto Jurgen VDB teve, uma vez mais, um excelente desempenho, a restante equipa esteve também muito bem nesta segunda etapa pelos Pirinéus. Amanhã é a etapa Rainha e depois, o dia de descanso. Para ser franco, tenho um grande respeito pela etapa de amanhã, chegando mesmo a intimidar-me um pouco. Se querem saber o porquê deste meu estado, basta verem ver o perfil da etapa na Internet porque, juntamente com todos os factores referidos, será um início rápido e doloroso.

Há um ditado que me foi confidenciado por Leif Hoste esta Primavera após uma queda dura e uma etapa que parecia não terminar nunca.

Hoje o dia acabará tal como todos os outros acabam.

Vê-mo-nos amanhã, Seb

7 dias para o final, 12 subidas de 1ª e 2ª categoria e, incontáveis metros de elevação

Domingo, Julho 18th, 2010

É como uma contagem decrescente, apenas é um pouco mais demorado e é muito mais doloroso. Após a primeira etapa de hoje dos Pirinéus, há mais três à nossa frente. Desta forma, estou em contagem decrescente e apago cada um dos três dias da minha memória. No final na etapa no alto em AX-3-Domaines, Jurgen VDB demonstrou uma vez mais o quanto está forte neste momento. Nós, tal como ele, esperamos que não ceda nas próximas etapas e possa desta forma continuar a lutar por uma classificação geral soberba.

Todos nós iniciámos o Tour de France com o mesmo objectivo, alcançar o top 10 com o nosso capitão. Cada quilómetro no vento, cada subida, cada bidon, cada barra energética, basicamente tudo o que fizemos até agora trouxe-nos até aqui. A grande diferença relativamente ao ano anterior é que agora trabalhamos muito melhor como equipa. É exactamente isto que nos leva a sofrer e nos permite pedalar no limite. Chamem-lhe prazer por diversão mas, a sério, é com estas tarefas que retiramos imenso prazer no final porque, todo o trabalho árduo que tivemos é recompensado com uma palmada nas costas ou um grande bem haja por parte da direcção da equipa.

Certo, então embora lá para a próxima etapa após um excelente jantar e uma boa noite de repouso. Amanhã irei falar-vos do trabalho dos nossos cozinheiros e porque é necessário tê-los e qual a diferença que podem fazer.

Vê-mo-nos amanhã, Seb

Sinto-me como um balde furado por uma dúzia de balas

Sábado, Julho 17th, 2010

Deixar prematuramente o Tour de France é uma experiência desagradável, uma que nunca tinha tido até agora. Espero sinceramente nunca mais passar por isto. É um procedimento cruel que vem juntar-se ao desconforto psicológico pela tua falha, acima de tudo. No meu caso em particular, não tenho cicatrizes para mostrar à imprensa, ou ossos partidos. Apenas um definhar lento, doloroso das minhas energias. Sinto-me como um balde furado por uma dúzia de balas, deixando sair energia à esquerda, à direita, ao centro. Toda a comida e bebida que eu ingeri parece ter-se evaporado, as minhas pernas tornaram-se cada vez mais fracas com o passar das horas. Fiquei sem forças e fui ficando para a cauda da corrida. Soube que tinha problemas quando estava a lutar por me manter na traseira do grupo enquanto os meus colegas paravam para urinar.

A noite, a minha parte preferida, tornou-se um martírio. Passei de pele pegajosa e transpirada a tentar encontrar calor nos meus lençóis. Ao acordar, sentia-me mais cansado que na noite anterior e sofria já com aquilo que me esperava no dia seguinte. O meu apetite, que muitas vezes despertou admiração nos outros, foi-se. Ao pequeno almoço, ficava sentado frente à comida enquanto o meu estômago paracia apenas queres água. Mais e mais água, apesar da sensação de lábios secos estar sempre presente.

Quando não estás em forma, por alguma razão, é um desconforto diferente daquele criado quando não consegues acompanhar frente da corrida. Quando estás em boa forma, sofrer é quase um prazer, tens gosto nisso. Sentes o quanto és rápido e ficas curiosos em saber o quanto mais rápido podes ser, é como uma espiral. Quando estás de rastos, no entanto, a estrada e o vento parecem conspirar contra ti. Nunca uma mudança é a correcta, a bicicleta parece outra e, por mais que tentes, sentes sempre que estás no limite, a uma pedalada de ser expulso do grupo.

Depois vem a noite final. Fui cedo para a cama, senti que me estava a afogar há um dia a tentar aguentar-me naquilo que a imprensa declarou ser um dia de “siesta”. Mas, o sono de descanso, confortável, nunca chegou. Andei de um lado para o outro da cama, com os meus olhos abertos. Sentí-me como se um mecânico me tivesse enchido a 8 bar, inchado, transpirado. Reparei num raio de luz do dia que começava, através das cortinas e esperei ouvir os mecânicos começarem a trabalhar. Tinha estado acordado toda a noite. Dirigi-me ao espelho e apenas vi o reflexo de um velho de rosto vazio.

Depois, fiz algo que nunca tinha feito e, espero sinceramente nunca mais fazer. Fui ter com o nosso director desportivo, Marc Sergeant, e disse-lhe que não poderia ir. Fim.

Numa fracção de segundos, o meu mundo transformou-se. Tornei-me um ser deslocado. Um corredor que não corre. A restante equipa atarefada na sua preparação para a etapa, e eu estava a ver, impávido. Não sabes onde te sentares, tens na mente que estás sempre no caminho. Depois, vem a viagem até ao início, a reunião, os fãs, a imprensa… é o Tour. Mas, estou sentado no autocarro, com o peso da culpa e a vergonha sobre os meus ombros. Na minha mente, esqueço o meu estado e, começo a dizer-me que poderia ter ido. És um desisitente, um fracasso, uma farsa.

As pessoas não sabem como tratar-te, se como alguém ou algo tenha morrido. Alguns dão-te uma palmada nas costas, uma palavras meigas, outros evitam-me, desviam o olhar, quase preocupados que eu os infecte, não apenas com o meu vírus, mas também com o meu fracasso. Quero cavar um buraco no chão, bem longe do Tour de France quanto possível.

Como se chega a este ponto? Tive um dos melhores Giro da minha carreira, vivi como um monge em Junho e vim para o Tour cheio de esperanças e, mesmo após onze anos, cheio de sonhos. Que imaturo e ingénuo da minha parte. Algo, ainda não sei muito bem o quê, entrou no meu corpo e começou a sabotar os meus planos. E o mais irónico é talvez ser algo banal, como um vírus gástrico ou sabe-se lá o quê. Mas, é um facto que foi o suficiente para me enviar de rastos para casa, fraco e pálido, como rabo entre as pernas.

Wegelius abandona Tour de France

Sexta, Julho 16th, 2010

O corredor da Omega Pharma-Lotto Charly Wegelius retirou-se do Tour de France após ter passado um mau bocado nos Alpes. Wegelius não tomou parte na etapa de ontem, a 11ª, de Sisteron a Bourg-les-Valence. Wegelius estava OK na etapa de Domingo de Avoriaz mas, sofreu muito na etapa de Terça-feira para St-Jean-de-Maurienne, terminando com 34 minutos após o primeiro, no mesmo grupo de Mark Cavendish e Robbie McEwen. “Foi realmente algo de horrendo,” disse Wegelius à Cycling Weekly antes em Chambery. “Estava sempre a ir para trás o dia todo. Até quando estava com o grupo dos sprinters – e com todo o respeito para com eles – estava a lutar para me manter. Mesmo se és modesto quanto às tuas capacidades, isto não é bem aquilo que eu estava à espera.

“Espero que tenha sido apenas um dia mau, por alguma razão” acrescentou. “Não estou doente… pelo menos acho.” Mas, a caminho de Gap, Wegelius não se sentiu melhor. Mesmo tendo sido capaz de integrar o segundo grupo e estando na 108ª posição da geral, a decisão de retirar-se foi tomada. “Desde o dia de descanso que não tenho sido capaz de aguentar a comida,” disse Wegelius aos media em Sisteron. “Acredito que também tenha um pouco de febre.” Wegelius disse que voltava para casa, tendo de abandonar o Tour, não tinha a certeza de ser capaz ver o evento pela TV. Wegelius continua com toda a confiança no seu companheiro de equipa da Omega Pharma-Lotto Jurgen Van Den Broeck no sentido de manter uma boa posição na classificação geral. “Não estou a ver qualquer razão pela qual ele não poderá estar lá com os outros,” referiu Wegelius.

Parte DOIS – Somos uma equipa e não significa apenas os corredores…

Quinta, Julho 15th, 2010

Hoje vamos começar com as únicas duas senhoras na equipa. Primeiro temos Valérie D’haeze. Apesar de não estar no mesmo local que nós, é ela que trata com todas as questões relacionadas com a organização. Ela coordena as nossas inscrições nos eventos, marca as viagens para todos da equipa e muito, muito mais. Após termos tido dois corredores fora da corrida, Velérie foi responsável pelo seu regresso a casa. Sem a Valérie uma sobrecarga recairia sobre a equipa. Depois, temos Brunhilde Verhenne. Ela lida com tudo o que seja Relações Públicas. Ela está connosco e trata de coordenar e planear a melhor forma de lidar com a pressão dos media. Ela toma também conta dos convidados VIP e o acesso dos mesmos aos corredores no início da etapa, assim como o seu transporte ao longo da etapa. Os convidados VIP viajam juntos em dois mini autocarros e podem ficar em lugares onde a corrida irá passar mais tarde.

Porque precisamos de um médico? Ele é responsável por mais do que aquilo que se julga. Ele organiza a nossa nutrição e também o que comemos antes e depois de cada etapa. Infelizmente, ele também é preciso quando acontecem quedas em que os corredores precisem de tratamento. O médico também está presente para completar tarefas tais como supervisão de doping e após cada etapa, ele é requisitado caso algum corredor seja testado. Também trata da logística com o hospital, quando é necessário utilizar o raio-X, controla a gordura corporal e o peso, faz testes à urina com vista a saber se o corredor ingeriu líquidos suficientes. Em complemento, percorre toda a etapa antecipadamente para identificar as áreas perigosas da corrida e saber onde se situa o hospital mais próximo em caso de emergência.

O centro de controlo da equipa ou a direcção desportiva, como é conhecida, é composta por Herman Frison, Marc Sergeant, Roberto Damiani e Marc Wouters. Marc Wouters guia sempre com o médico à frente da corrida podendo, desta forma, dar-nos informações importantes sobre o que se passa na etapa, por exemplo, como é uma determinada subida, como é a aproximação à mesma, as descidas, existe alguma área com ventos cruzados e, acima de tudo, quanto perigosa é a aproximação à meta. As duas outras pessoas da equipa Herman Frison e Marc Sergeant seguem imediatamente atrás dos corredores e tomam as decisões chave sobre o que devemos fazer em cada etapa. Antes de cada etapa, temos sempre uma reunião geral no autocarro com vista aos nossos objectivos numa etapa em particular. Herman Frison e Marc Sergeant concentram-se exclusivamente na classificação geral, estando sempre atentos a situações críticas e movimentações nas etapas. Roberto Damiani vai no segundo comboio de veículos e dá apoio aos corredores da nossa equipa deixados para trás ou anda na frente com os líderes, caso tenhamos lá um corredor. Nas comunicações falamos em Inglês para que todos saibamos o que se passa exactamente numa determinada situação.

Tal como leram neste dois textos, há muita coisa envolvida no dia a dia de uma equipa. E acreditem, se eu entrasse em pormenores, teria ainda muito mais para contar-vos: licenças de comunicação, o que precisas para o teu saco de pequeno almoço, reservas de hotel, transporte de todo o nosso equipamento, etc… mas, infelizmente, estou um pouco exausto após os 2000 kms já completados do Tour deste ano.

Vê-mo-nos amanhã,
Seb

Mario Aerts é o Corredor Mais Combativo pela segunda vez este ano no Tour

Quinta, Julho 15th, 2010

O experiente Mario Aerts fez parte do grupo de seis homens em fuga que dominaram a Etapa 10 entre Chambéry e Gap. Isto valeu a Aerts ser o Corredor Mais Combativo, pela segunda vez no Tour deste ano. “É apenas um prémio de consolo,” disse o Belga a Sporza após a etapa. “Preferia ter ganho a etapa.” O alto Belga de 35 anos está pela 10ª vez no Tour e tinha já sido distinguido como Corredor Mais Combativo após a Etapa 8.

Aerts tentou arduamente e foi o primeiro a conseguir um avanço sério com uma dúzia de quilómetros pela frente. “Foi muto cedo,” admitiu. “visto agora, deveria ter esperado mais tempo. Paulinho e Kiryienka estiveram também muito fortes mas, se eu tivessse esperado mais um pouco, teria sido capaz de correr com eles.” Paulinho e Kiryienka escaparam e foi um sprint entre os dois no final, com um minuto sobre os restantes elementos da fuga.

Aerts não procurará o seu terceiro prémio de corredor mais combativo tão cedo. “Julgo que irei tomar alguns ‘dias de repouso’.” Isto pode ser preciso de forma a ajudar o meu companheiro de equipa Jurgen Van Den Broeck no seu posicionamento da geral. Ele está em quinto a 3’31 do líder da corrida Andy Schleck, com uma terceira semana de sonho à porta. “Ele vai precisar de mim nos Pirinéus.” Aerts não lutou apenas contra os seus adversários. “Hoje foi muito duro, com o calor e o vento de frente.” Aerts é agora quarto na competição da Montanha, com 58 pontos. Acrescentou 15 na Quarta-feira enquanto estava na fuga. “Não tive de fazer nada para tal,” disse Aerts, referindo que foi fruto de uma situação de corrida. Mas, as coisas poderão mudar. “Nunca se sabe, posso vir a estar noutra fuga.”

Somos uma equipa e não significa apenas os corredores…

Quarta, Julho 14th, 2010

A nossa equipa é composta por muitas pessoas diferentes sendo que todas elas têm um papel importante e hoje vou apresentar-vos a equipa que trabalha com os corredores.

Comecemos com o condutor do nosso autocarro, Roger Van De Maele, que nos leva ao início das etapas e no final, de volta ao próximo hotel. No entanto, não é apenas isto que eles faz. Ele é também responsável por inspeccionar todos os veículos da equipa e lavá-los regularmente. Tem também a tarefa de confirmar que todos os aparelhos de comunicação da equipa estão carregados e se estão a funcionar correctamente, antes e depois de cada etapa. Após a etapa terminar, assegura-se que tudo está preparado para quando tomarmos o duche e se as bebidas de hidratação estão disponíveis.

Com os nossos quatro fisioterapeutas, Joachim Lapaege, Marc Van Gijsegehm, Hans Van Hout e Kurt Wouters, estamos em boas mãos. Eles dão-nos a merecida massagem após cada etapa e é aqui que eles verificam as nossas mazelas. No entanto, isto é apenas uma pequena parte das tarefas diárias que têm de completar. Estão também encarregues de verificar se toda a nossa bagagem é levada até ao próximo hotel diariamente e se está tudo nos nossos quartos. Preparam as bebidas para cada etapa, assim como a comida, lavam a nossa roupa e a deles diariamente, dão uma vista de olhos nos veículos da equipa de forma a verificarem se tudo o que poderemos precisar está lá. O dia pode normalmente começar por volta das 7:00 e terminar às 22:00. Antes do início de um evento, eles recolhem os corredores nos aeroportos assim como também nos deixam nos aeroportos, quando o evento termina. Tudo isto é feito antes de eles próprios poderem voltar para casa. Para o Tour de France temos também Steven Vrancken connosco, um osteopata que está constantemente a corrigir a nossa posição e que nos observa após as quedas para ter a certeza que tudo está bem. Isto é algo realmente importante.

Como as nossas bicicletas têm de dar no duro e sofrem realmente imenso, são vistas diariamente por três mecânicos que dividem as tarefas entre si. Os nossos três magos Nick Mondelaers, Dirk Tyteca e Steven Van Olmen são de confiança e, por vezes, têm de fazer noitada para que as bicicletas estejam prontas para a etapa seguinte. Diariamente, há sempre dois mecânicos na etapa, cada um dentro dos dois carros da equipa. Eles ajudam-nos ao longo da corrida quando temos problemas mecânicos ou, se após uma queda a bicicleta não está em condições de seguir. Temos dois veículos porque um está sempre na frente, ou com o pelotão, ou com os líderes e o outro apoia os corredores deixados para trás ou os fugitivos, caso tenhamos corredores nesta situação. Ao longo das três etapas, a fita do guiador será substituída três vezes, a corrente uma, os pneus são verificados regularmente e trocados se necessário em caso de danos. Diariamente, após cada etapa, as bicicletas são limpas e é feita uma rápida inspecção. Caso se verifiquem estaladelas na pintura, o quadro poderá ser trocado. Não é por isso de estranhar que os rapazes estejam sempre cheios de trabalho.

Tal como podem ver e ler, é muita gente envolvida na equipa e nem sequer fizemos referência à sua totalidade, a direcção da equipa, o pessoal das Relações Públicas, a equipa de catering para além da equipa médica. Sobre isso, irei escrever qualquer coisa amanhã…

Vê-mo-nos depois,
Seb

O mau dia de Van Den Broeck

Quarta, Julho 14th, 2010

O líder da equipa Omega Pharma-Lotto, Jurgen Van Den Broeck, teve um dia mau na Etapa 9 e o Belga está agora na 5ª posição da Classificação Geral do Tour De France com vista aos Alpes. Após a etapa, Van Den Broeck disse aos media “Estou desiludido porque tive um dia mau. O meu resultado hoje foi digno mas não voltará a acontecer. Estive mesmo muito mal hoje. Senti-o desde o início. Os corredores de topo saíram a todo o vapor no Col de la Madeleine mas, eu estava já no meu limite e fui incapaz de acelerar. Estava no meu limite e, não foram apenas Schleck e Contador a irem rápido, mas também corredores como Samuel Sanchez, Gesink, Menchov, e Leipheimer, que estão todos perto de mim na geral.”
Van Den Broeck tentou, na descida da Madeleine, recuperar tempo mas infelizmente, furou e acabou-se.
Mas, o director da Omega Pharma-Lotto, Marc Sergeant, estava feliz com o desempenho do seu jovem Belga após um dia muito duro: “Quando Cadel Evans foi deixado para trás, a equipa Astana aumentou a cadência para um ritmo terrível. Esta movimentação teve grandes implicações. Jurgen falhou o grupo com Denis Menchov. No topo, estava a um minuto do Russo e, aconteceu: furou, um desastre.”

Felizmente para Van Den Broeck, a troca de bicicleta foi rápida mas, mesmo assim, a perseguição foi desesperada.
”Após o furo, utilizei grande partes das minhas forças e tomei imensos riscos para voltar ao grupo. Na descida, estava no meu limite. Era impossível ir mais rápido.”

Van Den Broeck, no seu segundo Tour de France, olha agora para os Alpes com uma boa posição na Classificação Geral e poderá então enfrentar o teste dos testes quando a corrida chegar aos Pirinéus, na próxima semana. “Estou desiludido, não por ter terminado numa má posição mas por ter tido um dia mau. Espero que este tenha sido o meu pior dia no Tour. O meu objectivo é ficar no top dez e isso pode ainda acontecer.”

Sebastian Lang: Quando já não sabes o que fazer…

Terça, Julho 13th, 2010

Outra etapa nos Alpes, outra batalha contra nós próprios e a luta para alcançar os objectivos da equipa. Dependendo da forma de como começa uma etapa destas, também decides como te vais posicionar ao longo do dia. A primeira subida do dia foi o “Col de la Colombiére” após 16.5 kms e foi o primeiro osso que tivemos de roer. Quando todos os bons corredores do pelotão começaram a atacar foi apenas uma questão de nos agarrarmos e, nestes momentos, temos de nos aguentar. Afinal, a etapa é de 204.5 kms e se temos problemas muito cedo, pode significar o fim do teu Tour de France.

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Bem, é evidente que os corredores como eu não estão entre os melhores trepadores do Tour de France. Significa isto que tenho de competir para além dos meus limites não estando, por isso, preocupado em não terminar o evento. Enquanto os corredores de topo do Tour de France continuam com imensas reservas nas subidas, o teu coração está já na tua boca e o suor cai pela tua cara. Ou seja, não consegues pensar claramente e acabas por fazer coisas que, normalmente, não farias. Depois, vais a fundo na descida juntamente com os outros corredores e só Deus sabe se chegarás inteiro ao final. Os teus óculos estão tão cobertos de suor que, no final da etapa, dás por ti a questionar-te como foi possível ver através deles. Por vezes, acredito que o teu corpo bloqueia as funções cerebrais apenas para dares aquele pequeno extra. É de doidos quando tentas lembrar-te de certas partes da etapa e, pura e simplesmente, não consegues.

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É isto que distingue um desportista profissional de um atleta médio. Quem é que voluntariamente puxa por si para além dos limites mais extremos?

Vê-mo-nos amanhã,
Seb

O que acontece antes do quilómetro 0

Quinta, Julho 8th, 2010

Hoje não vou falar sobre a etapa, uma vez que foi uma etapa para os sprinters e não há nada de especial para contar. Para variar, quero falar-vos sobre o que se passa antes do quilómetro 0.

Não temos muito tempo entre o pequeno almoço e a partida com a equipa no autocarro. Desta forma, a seguir ao pequeno almoço entramos rapidamente na nossa segunda casa e depois, tudo começa de novo. Chamamos-lhe segunda casa porque passamos muito tempo no autocarro da equipa, com o seu sistema de ar condicionado e é uma pausa apenas para estar lá. Existem excepções como quando câmaras pretendem filmar o briefing da equipa antes da corrida. Estas pessoas sentem claramente que não gostamos muito de partilhar o autocarro com elas.

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Depois, iniciamos então a nossa conversa sobre a táctica de corrida assim como os pontos-chave da etapa que nos espera. A maioria das vezes, abandonamos o autocarro separadamente para assinar o local onde os corredores confirmam a sua participação na etapa. É então que temos alguns minutos até ao início com a respectiva neutralização. Este ano, no Tour de France, pedalaremos 86.1 km que são neutralizados. Isto significa que a distância de corrida de 3642km não está totalmente correcta.

As secções neutralizadas da etapa não são certamente as mais interessantes mas elas existem por diversas razões. Primeiro, porque costumamos percorrer a vila ou cidade antes de iniciar a corrida para que os espectadores nos possam apreciar. Segundo, é a última hipótese que os corredores têm para verificar tudo. Por exemplo, os nossos directores de equipa falam com todos nós através do sistema de comunicação interno e perguntam-me se os consigo ouvir, o que eu confirmo. Acontece frequentemente, no entanto, que as secções neutralizadas são utilizadas para muitas outras coisas. Pode ser por alguém ter esquecido o seu bidon de água ou para colocar comida no bolso de trás. Mas, após rolar alguns metros também pode acontecer que nos apercebamos de uma falha mecânica na bicicleta e ainda temos tempo de a resolver antes do início da corrida. Caso um corredor tenha um problema mecânico ou uma queda na secção neutralizada e não consegue depois alcançar o restante grupo antes do final da secção, o carro do director de prova impede que a corrida em si tenha início até que o corredor em causa tenha, finalmente, integrado o grupo.

Só para que conste, sempre que haja uma secção de neutralização de 10 km numa etapa de 210 km, chega a ser desmoralizador. No entanto, tudo isto faz parte da competição.

Vê-mo-nos amanhã, Seb