Archive for the ‘Sebastian Lang Tour Blog’ Category

Pele de galinha e outros momentos emotivos

Quinta, Julho 22nd, 2010

Quando ouvir pelas ondas de rádio da Radio Shack, “Vai Lance, vai-te a ele, é a última subida da tua carreira”, não estarei onde está a acção. Saberei o que aconteceu na frente da corriga por um companheiro de equipa de Lance Armstrong.

Foi a última subida desta edição do Tour de France. Após o dia de descanso, hoje foi o último dia nos Pirinéus com final no alto no Col du Tourmalet. esta etapa terminou a 2115 metros acima do nível do mar e, uma vez mais, tivemos um bom desempenho enquanto equipa. Jurgen VDB em particular, batalhou até à meta e serrou os seus dentes. Foi, no entanto, capaz de defender a sua 5ª posição na classificação geral.

Um número inacreditável de fãs inundou as estradas em todas as etapas de montanha. No entanto, hoje, no Col du Tourmalet todos os recordes foram batidos. Quando tens de pedalar duro na estreita passagem entre o público a gritar, sentes-te de alguma forma diferente. Agora e uma vez mais ficas com pele de galinha porque é uma experiência muito emocional. Nas poucas ocasiões em que o público grita o teu nome, sentes-te muito bem. É mesmo muito bom que, apesar de todas as polémicas à volta do desporto, ainda existam pessoas suficientes que conseguem distinguir o preto do branco. E, torna-se claro para mim que vale a pena seguir porque, lá fora, há pessoas suficientes que não te julgam pelo que está escrito nos media. Há muita gente que forma a sua própria opinião e, para isso, não precisa dos media.

Foi um dia de trabalho muito duro para mim e o facto de aumentar a cadência na frente da corrida é tão emotivo quanto pedalar no meio da multidão nas montanhas. Os fotógrafos capturam estes momentos com as suas câmaras, as equipas de televisão enviam imagens para todo o Mundo em directo de toda a acção da corrida. Um grande amigo meu escreveu-me recentemente e disse que foi muito bom ver-me sofrer ao vivo na T.V. Mas, a sério, graças a todos os meus amigos em casa, estou motivado para fazer sair o melhor de mim, diariamente, e estou mesmo muito feliz quando eles podem ver a minha cara mesmo quando parece, por vezes, desfigurada!

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Amanhã, espero que seja uma etapa típica cm um final em sprint para eu poder deixar-me ir no pelotão. Faltam apenas três dias e depois, o meu 6º Tour terá terminado mas, espero não ser o último.

Vê-mo-nos amanhã, Seb

Kook Eiland – Uma equipa de cozinheiros com anos de experência

Quarta, Julho 21st, 2010

O Tour de France é actualmente a corrida mais difícil em que um corredor toma parte. Não é apenas pelas 21 etapas e pelas 3 semanas seguidas de competição. Afinal, existem mais duas corridas anuais por etapas também com três semanas. No entanto, e em contraste com as outras corridas, para o Tour de France cada equipa nomeia os seus melhores corredores que têm em mente, desde o início da temporada, alcançar o maior sucesso possível neste evento de prestígio.

Nós, corredores, temos de lidar diariamente com todo o tipo de circunstâncias. As longas etapas de mais de 200 kms, o vento que pode levar a duras batalhas ou as quedas devido à chuva e, é claro, as elevadas velocidades médias e máximas. Temos ainda de lidar com etapas que, ano após ano, provaram ser duras. Os Alpes e os Pirinéus também precisam de ser superados se quisermos chegar a Paris. Isto significa que apenas temos tempo de pedalar, comer e dormir.

A alimentação é extremamente importante na vida de um ciclista profissional. Muitas equipas têm agora o seu próprio cozinheiro. Mesmo antes do Tour começar, é decidido o que os corredores precisam de comer e que tipo de alimentação terá de ser preparada. A nossa equipa de cozinheiros da “Kook Eiland” é de primeira classe. Eles estão sempre ao dispor, sabem exactamente o que fazem e preparam-nos autênticos repastos. Por vezes julgo estar a sonhar após ter travado uma etapa tão dura ou sinuosa. Senta-se à mesa e és servido vezes sem conta. Nunca tens de esperar muito até teres alguma coisa no estômago e a comida é sempre suficiente e de boa apresentação. Até nos dias de descanso, os cozinheiros preocuparam-se com o facto do almoço não ter demasiados hidratos de carbono. No final das três semanas de competição, teremos ingerido comida diversificada. Há uma coisa que, no entanto, é sempre o mesmo é a ingestão demassas e arroz ao jantar assim como panquecas e um tipo de “Torrada Francesa” ao pequeno almoço com ovos, leite e limão, frito sobre pão.

Quando voltas para casa, o normal é que ninguém cozinhe para ti seja de manhã ou à noite e, tens de ser tu a tratar da cozinha novamente. Desta forma, tal como podem ver, não somos apenas mimados com massagens diárias mas também somos surpreendidos uma e outra vez com delicias culinárias.

Vê-mo-nos amanhã, Seb

Batalha implacável na classificação por equipas

Segunda, Julho 19th, 2010

Nunca deveríamos tentar prever o desenrolar de uma corrida, nem imaginar cenários especiais porque, uma coisa que eu aprendi nos meus muitos anos de ciclista profissional é que existem razões suficientes sobre o porquê de uma corrida ser mais dura do que esperamos.

Vamos assumir que existem apenas dois corredores na classificação geral na luta pela vitória no Tour. Creio não ser necessário referir os nomes. Depois, dirigimo-nos para a etapa e a conversa da equipa no autocarro e julgas que sabes já o que vai acontecer na etapa de hoje. No entanto, as aparências podem iludir porque a estreita margem de pontos na luta pelo jerseys verde e pelo jersey às pintas vermelhas abrem outras possibilidades. Mas, isto não é tudo porque existe também a competição por equipas. Se pegarmos em tudo isto e misturarmos dentro de um chapeu e ainda juntarmos 100 corredores altamente motivados, acabamos por criar uma mistura explosiva. Hoje, após 89 kms, um forte grupo com 10 corredores deu início a uma fuga. Nas etapas anteriores da corrida, rolámos num tempo recorde de velocidade média de 47.6 km/h. No entanto, não é possível ter um grupo tão bom de corredores e criar uma corrida diferente ou mais agradável. Uma vez tínhamos o corredor errado no grupo, devido à luta pelo jersey das pintas vermelhas, outra vez aconteceu o mesmo com o jersey verde. Por fim, tivemos o problema da Radio Shack por terem perdido o grupo e, desde modo, tivemos a Caisse d’Epargne a todo o vapor.

Mesmo assim, estas duas equipas irão continuar a controlar-se mutuamente e certamente nos brindarão com surpresas tácticas nas próximas etapas.

Enquanto Jurgen VDB teve, uma vez mais, um excelente desempenho, a restante equipa esteve também muito bem nesta segunda etapa pelos Pirinéus. Amanhã é a etapa Rainha e depois, o dia de descanso. Para ser franco, tenho um grande respeito pela etapa de amanhã, chegando mesmo a intimidar-me um pouco. Se querem saber o porquê deste meu estado, basta verem ver o perfil da etapa na Internet porque, juntamente com todos os factores referidos, será um início rápido e doloroso.

Há um ditado que me foi confidenciado por Leif Hoste esta Primavera após uma queda dura e uma etapa que parecia não terminar nunca.

Hoje o dia acabará tal como todos os outros acabam.

Vê-mo-nos amanhã, Seb

7 dias para o final, 12 subidas de 1ª e 2ª categoria e, incontáveis metros de elevação

Domingo, Julho 18th, 2010

É como uma contagem decrescente, apenas é um pouco mais demorado e é muito mais doloroso. Após a primeira etapa de hoje dos Pirinéus, há mais três à nossa frente. Desta forma, estou em contagem decrescente e apago cada um dos três dias da minha memória. No final na etapa no alto em AX-3-Domaines, Jurgen VDB demonstrou uma vez mais o quanto está forte neste momento. Nós, tal como ele, esperamos que não ceda nas próximas etapas e possa desta forma continuar a lutar por uma classificação geral soberba.

Todos nós iniciámos o Tour de France com o mesmo objectivo, alcançar o top 10 com o nosso capitão. Cada quilómetro no vento, cada subida, cada bidon, cada barra energética, basicamente tudo o que fizemos até agora trouxe-nos até aqui. A grande diferença relativamente ao ano anterior é que agora trabalhamos muito melhor como equipa. É exactamente isto que nos leva a sofrer e nos permite pedalar no limite. Chamem-lhe prazer por diversão mas, a sério, é com estas tarefas que retiramos imenso prazer no final porque, todo o trabalho árduo que tivemos é recompensado com uma palmada nas costas ou um grande bem haja por parte da direcção da equipa.

Certo, então embora lá para a próxima etapa após um excelente jantar e uma boa noite de repouso. Amanhã irei falar-vos do trabalho dos nossos cozinheiros e porque é necessário tê-los e qual a diferença que podem fazer.

Vê-mo-nos amanhã, Seb

Parte DOIS – Somos uma equipa e não significa apenas os corredores…

Quinta, Julho 15th, 2010

Hoje vamos começar com as únicas duas senhoras na equipa. Primeiro temos Valérie D’haeze. Apesar de não estar no mesmo local que nós, é ela que trata com todas as questões relacionadas com a organização. Ela coordena as nossas inscrições nos eventos, marca as viagens para todos da equipa e muito, muito mais. Após termos tido dois corredores fora da corrida, Velérie foi responsável pelo seu regresso a casa. Sem a Valérie uma sobrecarga recairia sobre a equipa. Depois, temos Brunhilde Verhenne. Ela lida com tudo o que seja Relações Públicas. Ela está connosco e trata de coordenar e planear a melhor forma de lidar com a pressão dos media. Ela toma também conta dos convidados VIP e o acesso dos mesmos aos corredores no início da etapa, assim como o seu transporte ao longo da etapa. Os convidados VIP viajam juntos em dois mini autocarros e podem ficar em lugares onde a corrida irá passar mais tarde.

Porque precisamos de um médico? Ele é responsável por mais do que aquilo que se julga. Ele organiza a nossa nutrição e também o que comemos antes e depois de cada etapa. Infelizmente, ele também é preciso quando acontecem quedas em que os corredores precisem de tratamento. O médico também está presente para completar tarefas tais como supervisão de doping e após cada etapa, ele é requisitado caso algum corredor seja testado. Também trata da logística com o hospital, quando é necessário utilizar o raio-X, controla a gordura corporal e o peso, faz testes à urina com vista a saber se o corredor ingeriu líquidos suficientes. Em complemento, percorre toda a etapa antecipadamente para identificar as áreas perigosas da corrida e saber onde se situa o hospital mais próximo em caso de emergência.

O centro de controlo da equipa ou a direcção desportiva, como é conhecida, é composta por Herman Frison, Marc Sergeant, Roberto Damiani e Marc Wouters. Marc Wouters guia sempre com o médico à frente da corrida podendo, desta forma, dar-nos informações importantes sobre o que se passa na etapa, por exemplo, como é uma determinada subida, como é a aproximação à mesma, as descidas, existe alguma área com ventos cruzados e, acima de tudo, quanto perigosa é a aproximação à meta. As duas outras pessoas da equipa Herman Frison e Marc Sergeant seguem imediatamente atrás dos corredores e tomam as decisões chave sobre o que devemos fazer em cada etapa. Antes de cada etapa, temos sempre uma reunião geral no autocarro com vista aos nossos objectivos numa etapa em particular. Herman Frison e Marc Sergeant concentram-se exclusivamente na classificação geral, estando sempre atentos a situações críticas e movimentações nas etapas. Roberto Damiani vai no segundo comboio de veículos e dá apoio aos corredores da nossa equipa deixados para trás ou anda na frente com os líderes, caso tenhamos lá um corredor. Nas comunicações falamos em Inglês para que todos saibamos o que se passa exactamente numa determinada situação.

Tal como leram neste dois textos, há muita coisa envolvida no dia a dia de uma equipa. E acreditem, se eu entrasse em pormenores, teria ainda muito mais para contar-vos: licenças de comunicação, o que precisas para o teu saco de pequeno almoço, reservas de hotel, transporte de todo o nosso equipamento, etc… mas, infelizmente, estou um pouco exausto após os 2000 kms já completados do Tour deste ano.

Vê-mo-nos amanhã,
Seb

Somos uma equipa e não significa apenas os corredores…

Quarta, Julho 14th, 2010

A nossa equipa é composta por muitas pessoas diferentes sendo que todas elas têm um papel importante e hoje vou apresentar-vos a equipa que trabalha com os corredores.

Comecemos com o condutor do nosso autocarro, Roger Van De Maele, que nos leva ao início das etapas e no final, de volta ao próximo hotel. No entanto, não é apenas isto que eles faz. Ele é também responsável por inspeccionar todos os veículos da equipa e lavá-los regularmente. Tem também a tarefa de confirmar que todos os aparelhos de comunicação da equipa estão carregados e se estão a funcionar correctamente, antes e depois de cada etapa. Após a etapa terminar, assegura-se que tudo está preparado para quando tomarmos o duche e se as bebidas de hidratação estão disponíveis.

Com os nossos quatro fisioterapeutas, Joachim Lapaege, Marc Van Gijsegehm, Hans Van Hout e Kurt Wouters, estamos em boas mãos. Eles dão-nos a merecida massagem após cada etapa e é aqui que eles verificam as nossas mazelas. No entanto, isto é apenas uma pequena parte das tarefas diárias que têm de completar. Estão também encarregues de verificar se toda a nossa bagagem é levada até ao próximo hotel diariamente e se está tudo nos nossos quartos. Preparam as bebidas para cada etapa, assim como a comida, lavam a nossa roupa e a deles diariamente, dão uma vista de olhos nos veículos da equipa de forma a verificarem se tudo o que poderemos precisar está lá. O dia pode normalmente começar por volta das 7:00 e terminar às 22:00. Antes do início de um evento, eles recolhem os corredores nos aeroportos assim como também nos deixam nos aeroportos, quando o evento termina. Tudo isto é feito antes de eles próprios poderem voltar para casa. Para o Tour de France temos também Steven Vrancken connosco, um osteopata que está constantemente a corrigir a nossa posição e que nos observa após as quedas para ter a certeza que tudo está bem. Isto é algo realmente importante.

Como as nossas bicicletas têm de dar no duro e sofrem realmente imenso, são vistas diariamente por três mecânicos que dividem as tarefas entre si. Os nossos três magos Nick Mondelaers, Dirk Tyteca e Steven Van Olmen são de confiança e, por vezes, têm de fazer noitada para que as bicicletas estejam prontas para a etapa seguinte. Diariamente, há sempre dois mecânicos na etapa, cada um dentro dos dois carros da equipa. Eles ajudam-nos ao longo da corrida quando temos problemas mecânicos ou, se após uma queda a bicicleta não está em condições de seguir. Temos dois veículos porque um está sempre na frente, ou com o pelotão, ou com os líderes e o outro apoia os corredores deixados para trás ou os fugitivos, caso tenhamos corredores nesta situação. Ao longo das três etapas, a fita do guiador será substituída três vezes, a corrente uma, os pneus são verificados regularmente e trocados se necessário em caso de danos. Diariamente, após cada etapa, as bicicletas são limpas e é feita uma rápida inspecção. Caso se verifiquem estaladelas na pintura, o quadro poderá ser trocado. Não é por isso de estranhar que os rapazes estejam sempre cheios de trabalho.

Tal como podem ver e ler, é muita gente envolvida na equipa e nem sequer fizemos referência à sua totalidade, a direcção da equipa, o pessoal das Relações Públicas, a equipa de catering para além da equipa médica. Sobre isso, irei escrever qualquer coisa amanhã…

Vê-mo-nos depois,
Seb

Sebastian Lang: Quando já não sabes o que fazer…

Terça, Julho 13th, 2010

Outra etapa nos Alpes, outra batalha contra nós próprios e a luta para alcançar os objectivos da equipa. Dependendo da forma de como começa uma etapa destas, também decides como te vais posicionar ao longo do dia. A primeira subida do dia foi o “Col de la Colombiére” após 16.5 kms e foi o primeiro osso que tivemos de roer. Quando todos os bons corredores do pelotão começaram a atacar foi apenas uma questão de nos agarrarmos e, nestes momentos, temos de nos aguentar. Afinal, a etapa é de 204.5 kms e se temos problemas muito cedo, pode significar o fim do teu Tour de France.

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Bem, é evidente que os corredores como eu não estão entre os melhores trepadores do Tour de France. Significa isto que tenho de competir para além dos meus limites não estando, por isso, preocupado em não terminar o evento. Enquanto os corredores de topo do Tour de France continuam com imensas reservas nas subidas, o teu coração está já na tua boca e o suor cai pela tua cara. Ou seja, não consegues pensar claramente e acabas por fazer coisas que, normalmente, não farias. Depois, vais a fundo na descida juntamente com os outros corredores e só Deus sabe se chegarás inteiro ao final. Os teus óculos estão tão cobertos de suor que, no final da etapa, dás por ti a questionar-te como foi possível ver através deles. Por vezes, acredito que o teu corpo bloqueia as funções cerebrais apenas para dares aquele pequeno extra. É de doidos quando tentas lembrar-te de certas partes da etapa e, pura e simplesmente, não consegues.

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É isto que distingue um desportista profissional de um atleta médio. Quem é que voluntariamente puxa por si para além dos limites mais extremos?

Vê-mo-nos amanhã,
Seb

O que acontece antes do quilómetro 0

Quinta, Julho 8th, 2010

Hoje não vou falar sobre a etapa, uma vez que foi uma etapa para os sprinters e não há nada de especial para contar. Para variar, quero falar-vos sobre o que se passa antes do quilómetro 0.

Não temos muito tempo entre o pequeno almoço e a partida com a equipa no autocarro. Desta forma, a seguir ao pequeno almoço entramos rapidamente na nossa segunda casa e depois, tudo começa de novo. Chamamos-lhe segunda casa porque passamos muito tempo no autocarro da equipa, com o seu sistema de ar condicionado e é uma pausa apenas para estar lá. Existem excepções como quando câmaras pretendem filmar o briefing da equipa antes da corrida. Estas pessoas sentem claramente que não gostamos muito de partilhar o autocarro com elas.

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Depois, iniciamos então a nossa conversa sobre a táctica de corrida assim como os pontos-chave da etapa que nos espera. A maioria das vezes, abandonamos o autocarro separadamente para assinar o local onde os corredores confirmam a sua participação na etapa. É então que temos alguns minutos até ao início com a respectiva neutralização. Este ano, no Tour de France, pedalaremos 86.1 km que são neutralizados. Isto significa que a distância de corrida de 3642km não está totalmente correcta.

As secções neutralizadas da etapa não são certamente as mais interessantes mas elas existem por diversas razões. Primeiro, porque costumamos percorrer a vila ou cidade antes de iniciar a corrida para que os espectadores nos possam apreciar. Segundo, é a última hipótese que os corredores têm para verificar tudo. Por exemplo, os nossos directores de equipa falam com todos nós através do sistema de comunicação interno e perguntam-me se os consigo ouvir, o que eu confirmo. Acontece frequentemente, no entanto, que as secções neutralizadas são utilizadas para muitas outras coisas. Pode ser por alguém ter esquecido o seu bidon de água ou para colocar comida no bolso de trás. Mas, após rolar alguns metros também pode acontecer que nos apercebamos de uma falha mecânica na bicicleta e ainda temos tempo de a resolver antes do início da corrida. Caso um corredor tenha um problema mecânico ou uma queda na secção neutralizada e não consegue depois alcançar o restante grupo antes do final da secção, o carro do director de prova impede que a corrida em si tenha início até que o corredor em causa tenha, finalmente, integrado o grupo.

Só para que conste, sempre que haja uma secção de neutralização de 10 km numa etapa de 210 km, chega a ser desmoralizador. No entanto, tudo isto faz parte da competição.

Vê-mo-nos amanhã, Seb

Mistura de relaxamento com tensão

Quarta, Julho 7th, 2010

Após uns dias intensos, enfrentámos esta etapa de forma mais relaxada. A maioria das equipas aproveitou para que os corredores recuperassem as suas forças. Após o primeiro ataque, permitiu-se que os fugitivos se afastassem. Apenas duas equipas trabalharam de forma a evitar que o tempo fosse demasiado grande e conseguiu-se que a etapa fosse decidida ao sprint em massa.

Mesmo se falámos do tema “regeneração” na conversa matinal, ao longo da corrida existe sempre tensão. Em situação de corrida, nunca podes realmente abstrair-te e rolar simplesmente no pelotão. O perigo de quedas, se não tomas atenção, é mesmo muito elevado. Existe ainda o perigo que uma equipa force a cadência e não sejas capaz de seguir o ritmo. Desta forma, é muito importante, para mim, estar concentrado e fazer o meu trabalho como deve ser.

O tempo tem estado excelente e adoro o calor e estas condições. Os próximos dois dias serão, previsivelmente, para que os sprinters fiquem com o protagonismo, uma vez que se trata de etapas sem grandes exigências físicas. No entanto, Sábado teremos uma etapa com o final no alto da montanha e o mesmo para Domingo. Deste modo, não teremos muito tempo para relaxar no pelotão, especialmente para um corredor com o meu perfil.

Vê-mo-nos amanhã, Seb

Classificação geral baralhada de novo e uma etapa cheia de surpresas

Terça, Julho 6th, 2010

Após o quarto dia do Tour de France, Fabian Cancellara reclamou uma vez mais a si a camisola amarela. Cada dia tem sido fértil em surpresas, o que tem feito baralhar a classificação geral outra vez. Afinal, a má sorte de ontem, hoje já nos pareceu um pouco melhor. Jurgen Van Den Broeck não perdeu muito tempo e cruzou a meta à frente de muitos dos favoritos. Enquanto equipa, temos tido um excelente desempenho e todos nós apoiamos o Jurgen o melhor que podemos. Foi, acima de tudo, Jurgen Roelands que, após um dia mau ontem, encontrou novamente a forma de topo e apoiou perfeitamente VDB no final da etapa.

Graças aos pneus não tivemos furos mas não evitámos as quedas, que afectaram Daniel Moreno e Charles Wegelius. No entanto, ambos corredores não sofreram qualquer lesão ao ponto de os afastar da corrida.

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Uma grande surpresa na etapa foi o facto de um corredor como Andy Schleck conseguir acompanhar o seu colega de equipa Fabian Cancellara (um verdadeiro especialista do empedrado) tento em conta a dificuldade do terreno e, ao mesmo tempo, ganhar tempo sobre corredores como Ivan Basso, Lance Armstrong e até Alberto Condator. Infelizmente, o irmão de Andy Schleck teve de abandonar a corrida devido a queda. Para o corredor Alemão Tony Martin, que foi apanhado na queda com Frank Schleck, foi um dia sem sorte, uma vez que perdeu também muito tempo. Mas, quem sabe, talvez hajam ainda boas surpresas antes do Tour acabar.

Amanhã será uma etapa típica para os sprinters. Vamos ainda cruzar os dedos para que as 9 rotundas nos 5 quilómetros finais não causem quedas aparatosas. Espero ainda poder ver um pouco do jogo entre a Alemanha e a Espanha, amanhã.

Vê-mo-nos amanhã, Seb