Sónia Lopes # 3 Open de Espanha XCR – Trofeu Trek 12 Wild Wolf Series – Puerto Lumbreras, Murcia

Decorreu no passado dia 31 de Março, na localidade de Puerto Lumbreras, província de Múrcia em Espanha a terceira etapa do Open de Espanha XCR – Troféu Trek 12 Wild Wolf Series. À partida a camisola de líder, que nos pertence, era a mais cobiçada pela forte concorrência que aumenta de etapa para etapa, tanto na quantidade como na qualidade e estratégia. Esta foi provavelmente a prova mais difícil de gerir da minha carreira, com a liderança do Open de Espanha XCR em perigo, a uma semana do principal objectivo da época o Campeonato Europeu de 24 Horas, gerir era a palavra de ordem. Não podia perder a liderança mas toda a energia aqui gasta viria a fazer falta no Europeu.
A viajem de 1000 km foi uma vez mais no dia anterior com paragens frequentes e os cuidados possíveis, poupando ao máximo o físico. Esta foi uma condição imposta à partida pelo intervalo de uma semana apenas entre competições que exigem muito mais do que isso para uma recuperação eficiente.

Nos momentos que antecedem a partida tive direito a entrevista pelo locutor de serviço. Às perguntas feitas em Castelhano, respondi em Português como sempre faço em qualquer ocasião ou lugar, mas só depois da tradução ouvi os aplausos do público.
O regulamento deste Espanha XCR Open prevê a volta mais rápida como factor de desempate no caso de igualdade em numero de voltas concluídas. Para uns um contra senso, uma vez tratar-se de um Troféu de resistência e não de velocidade, para mim uma regra a respeitar mas que em muito me penaliza desempenho. Tudo isto faz com que os primeiros km da corrida sejam disputados a uma velocidade própria de uma prova de XCO.

Habitualmente é durante as primeiras horas que se definem as voltas más rápidas e foi durante esse período que obtive a terceira mais rápida. Para alcançar a vitoria teria agora de fazer mais do que ser a primeira a chegar à meta, tinha de dobrar as duas rivais mais rápidas. São estes momentos que nos fazem crescer e evoluir como pessoas e atletas. Vestia a camisola de líder da Real Federação Espanhola de Ciclismo, para ganhar teria de despender toda a energia de que dispunha sem receios ou limitações, o que ira por em causa a prestação no Europeu. Chorei de raiva por ter definido objectivos, por ter de respeitar compromissos, por ter pessoas a trabalhar comigo diariamente. A vontade foi esquecer tudo e acelerar ao máximo, podia ter ganho? Talvez sim, talvez não, engoli um sapo do tamanho do mundo mas consegui controlar o instinto primitivo e a sede de vitoria, respeitei quem muito me apoia e faz da Sónia Lopes uma realidade, controlei a corrida e a estratégia dura das adversárias e suas “equipas”, consegui o segundo lugar, dobrando a segunda mais rápida, assegurando a liderança e poupando energia.
Este resultado e a vantagem conquistada nas anteriores etapas foram suficientes para manter a liderança do Open.

Desta vez lutei contra mim e contra as adversárias, na mais dura corrida que já tive a honra de disputar, onde enfrentei a minha maior rival, uma tal de Sónia Lopes. No final continua a ser portuguesa a líder do Espanha Open XCR, sendo a culpa invariavelmente vossa.

Atenciosamente
Sónia Lopes

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